Caminho do Meio

Caminho do Meio

sábado, 12 de março de 2011

Trecho da Carta de Ya'akov (Tiago), seguido de comentário, solicitada por Lúcia Lourenço em meu Facebook em 9 de março.

"Que o irmão de condição humilde se orgulhe de sua posição elevada. Mas o irmão rico deve se orgulhar por ser humilhado, porque, à semelhança da flor do campo, ele  fenecerá.    Pois como sol se levanta com o sharav e seca a planta, de modo que sua flor cai e sua beleza é destruida, da mesma forma a pessoa rica em meio aos seus afazeres murchará.    Qão bem aventurado é o homem que persevera quando tentado! Porque, depois de ter passado no teste será coroado com a vida que Deus prometeu aos que o amam. Ninguém ao ser tentado diga:" Estou sendo tentatdo por Deus." Deus não pode ser tentado pelo mal, e ele mesmo não tenta ninguém. Em vez disso, cada pessoa é tentada ao ser arrastada e atraida pelo engano do seu desejo. Então tendo sido concebido, o desejo dá à luz o pecado; e, quando o pecado cresce plenamente, dá à luz a morte."  (Tg 1:9-15)


DRASHAH K'TANAH 

Interessante essa carta na medida em que nos ajuda a desconstruir os estigmas engessados de classe: a posição elevada do humilde independe de sua condição econômica e a ostentação do abastado pode ser tão efêmera quanto uma flor que murcha com o Sharav: quantas fortunas vemos dilapidadas e milionários que em um curto espaço de tempo simplesmente quebram. A carta nos sugere ainda um caminho para a prosperidade (em todos os sentidos!) que eu modernamente chamaria de FOCO. 
Nada mais contemporâneo hoje em vários círculos de psicanálise e estudos neurais do que a idéia de FOCO que Yaakov (Tiago) já nos trazia: "Quão bem aventurado é o homem que persevera quando tentado! Porque, depois de ter passado no teste será coroado com a vida que Deus prometeu aos que o amam." 
Penso que não devemos encarar a idéia de tentação aí como alguma coisa medieval no sentido da depravação ou do que uma moral falocrática resolveu chamar de pecados da carne, mas de tudo aquilo que nos tire do FOCO que é a felicidade em Hashem (O Senhor Jesus nos prometeu vida, e vida em abundância, e essa deve ser nossa meta). Um dos títulos de satanás é O Tentador, ou seja, aquele que nos tira do foco, pois a palavra satan em hebraico significa obstáculo, origem de um outro nome que atribuímos a satanás: adversário (aquele que se põe no caminho como uma pedra.) 

Como sabemos que o sacrifício crístico já venceu o tentador, devemos encarar as tentações com a leveza de um Carlos Drummond de Andrade, e seguir em frente, rumo a Hashem: "no meio do caminho tinha uma pedra...tinha uma pedra no meio do caminho". (Echad Elokeinu, Gadol Adoneinu, Cadosh Shemó!)

PARASHAH HA SHAVUAH TSAV

Animação (G-d Cast) sobre Parashah da Semana (13-19 de Março de 2011)



TSAV - Porque a chama do Altar do Eterno deve queimar ininterruptamente! (Levítico 6:1-8:36)


Ao observarmos essa bela animação elaborada por Jennifer Joseph, podemos ter um panorama da Porção da Torah (Parashah) para esta semana que chega. O vídeo (que está em inglês) em absoluto substitui o estudo detalhado da Santa Torah do Senhor, pelo qual devemos sentir grande prazer tal como nos fala o segundo verso do capítulo 1 do Livro de Tehilim (igualmente conhecido como Louvores ou Salmos): "Mas seu desejo está na Torah do Senhor, e em Sua  Torah medita dia e noite".






 



Drashah Ktanah

A Parasah Tsav aborda essecialmente as instruções de Mosheh Rabeinu (Moisés) acerca dos deveres dos sacerdotes e da maneira como o serviço sacrificial deveria ocorrer. Na Parashah anterior, Vaykrah, pudemos ver que a prática do sacrifício (Korban, ou Zêbach) derivava de um sentido espiritual muito mais amplo, ou seja: do conceito de lekarev, ou aproximação. Os sacrifícios possuiam na antiguidade uma ritualística complexa que poderá ser abordada em um outro post. Seu legado poético e místico para nossos dias pode ser o de aproximação do Eterno. O comentarista Meir Melamed (z'l') afirma que os sacrifícios dos povos semíticos em sua maioria das vezes cumpriam a tarefa de trazer as divindades para o mundo, ao passo que no caso abraâmico e mosaico o contrário se dava: o homem, através do Korban, elevava-se na direção do Sagrado, bendito seja Ele.

Os Korbanot (plural de Korban) eram rituais antigos de purificação, e por isso o texto da Torah exige que o fogo do altar esteja sempre queimando, trazendo para nós a idéia de uma permanente purificação, se optarmos por nossas conexões com D-us. Afinal, o Korban pode ser um mandamento, mas ainda que seja assim, cumprir uma Mitsvah é sempre uma escolha. A imagem do fogo queimando ininteruptamente aponta para um D-us sempre presente, sempre disponível, mesmo quando não estamos dispostos a buscá-Lo.

As cinzas que devem ser recolhidas pelos sacerdotes (especialmente pelo Cohen HaGadol) no dia seguinte, apontam com efeito para a transitoriedade material do sacrifício, ao passo que a chama do altar sempre estará lá, disponível e eterna; mesmo assim, tais cinzas devem ser postas diante do altar, porque apesar dos limites da matéria, elas certamente tomam parte na amplitude do próprio Sagrado. Tudo se conecta e as partes, como em uma sinédoque sagrada, desempenham papéis em sua relação com o Todo. O ato do Cohen HaGadol de levar as cinzas para fora do Mahaneh atesta exatamente esse papel material, que ao ser cumprido, distancia-se do altar, deixando que a profundidade do Espírito e das idéias permaneçam, cedendo espaço para as novas práticas espirituais (Korbanot) que chegarão em seguida, alimentadas pela madeira que deve ser renovada todas as manhãs.

A permanência do Eterno é nossa mais linda e tranquilizante garantia de segurança. Que Ele esteja presente em nossa semana como um fogo que nos aquece a alma, mas também como fogo que purufica, vivifica e impulsiona! B'shem Yeshu'ah Adoneinu! Amem.

 Aguardem novos comentários sobre Tsav no decorrer da semana!

"Echad Elokeinu, Gadol Adoneinu, Cadosh Shemoh!"

André Sena